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ORIGEM DA ERA
INFORMACIONAL
Gênese da Tecnologia do Computador:
“A Máquina que produz Máquinas”
ÍNDICE
1. Introdução
2. O Surgimento
dos Primeiros Computadores
3. A 1a Geração
Pré-Comercial de Computadores
do
Mid-Atlantic nos EUA:Os Deselegantes “Mainframes”
4. A Mobilidade
Territorial da Produção Industrial
dos
Computadores nos EUA: O Surgimento
da Tecnologia
dos Minicomputadores
5. A Emergência
Espacial do Silicon Valley na Califórnia
6. A Era do
Silício nos Computadores e a Produção
dos Circuitos
Integrados
7. A Era dos
Chips e dos Microcomputadores
8. A Era dos
Chips no Brasil
Notas
1.
Introdução
Uma das ferramentas mais importantes para o ensino na
atualidade é o CD-Rom.
Um dos objetivos deste curso é
a sua futura transformação em CD-Rom interativo.
Entre as ferramentas analisada
aqui neste, trabalho está O CD-Rom de Gilberto Abreu, Saiba tudo sobre a
Globalização, São Paulo, Ed. Multimídia, 1999, que reúne um importante material de pesquisa sobre esta temática.
Esta ferramenta pode ser utilizada na sala de aula como mais uma ferramenta didática e
ensino sobre o processo histórico da Globalização.
Entretanto, cumpre salientar que as informações relativas ao Advento da "Alta Tecnologia",
presentes neste CD-Rom, estão necessitando de uma atualização no item sobre
o surgimento das Novas Tecnologias. Pois, como esta parte do CD-Rom é em grande medida
uma transcrição não autorizada de meu texto monográfico: "Metamorfoses Tecnológicas do
Capitalismo no Período Atual" , escrito
em 1992 como requisito para a conclusão da
disciplina: "A Reorganização do Espaço Geográfico na fase Histórica
Atual", coordenada pelo Prof.Dr. Milton Santos, no curso de Doutoramento em
Geografia Humana da USP. Diante deste
fato, sinto-me na obrigação de completar, na condição
de Coordenador do curso de Globalização, a atualização de seus estudos
introduzindo novos e mais avançados materiais de pesquisas que efetuei
quando morei nos EUA, sobre a
temática do Advento da Alta-Tecnologia, com a intenção de corringir os erros de
transcrição efetuado pelo autor do CD-Rom: o Sr. Gilberto Abreu.
2.
O Surgimento dos Primeiros Computadores
A iniciativa de buscar
desenvolver vários artefatos ou artifícios para quantificar
objetos e coisas (o Cálculo) em dispositivos físicos e
máquinas faz parte da história do processamento de dados,
desde a invenção do ábaco ,
há mais de 5.000 anos atrás, e foi se aprimorando com:
Blaise Pascal (1623-1662), matemático,
físico, escritor e artista francês, que inventou a primeira
máquina de calcular do mundo, para efetuar os cálculos dos
tributos que eram coletadas por seu pai na metade do século
XVII (BITTER, 1984:27) (1).
Em função de seu grande prestígio como matemático e
inventor, Pascal foi homenageado, no início da década de 70,
com o nome de uma linguagem de programação de computador
(software), desenvolvida por Niklaus Wirth, no Institut fur
Informatik em Zurique;
Baron Gottfried Wilhelm von Leibnitz (1646-1716), na
Alemanha, que inventou uma máquina de calcular, mais avançada
que a Pascalina, pois fazia as quatro operações. A máquina de
Leibnitz exerceu forte influência inspiradora no
desenvolvimento das modernas pequenas máquinas de calcular do
início dos anos 70;
Joseph Marie Jacquard (1752-1834), inventou na França a
máquina de tear com cartão perfurado, utilizada nas atividades
industriais para a produção têxtil. Jacquard foi dos
precursores do processo de automação industrial, sua
invenção praticamente revolucionou a indústria têxtil,
impulsionando a produção de roupas, tecidos e sendo
responsável pela destruição de inúmeros postos de trabalho
no início do século XIX, na França. Sua invenção foi
repudiada pela classe trabalhadora francesa, que via no seu
engenho a expressão demoníaca de um progresso, que naquele
tempo era praticamente irrecusável. Ele foi o precursor das
máquinas de comando numérico e das máquinas ferramenta, da
atualidade;
Charles Babbage (1792-1871),
inventou na Inglaterra o primeiro computador mecânico com o “pilot
model or prototype of the difference engine”,
posteriormente, “analytical engine”, que não era
simplesmente uma máquina de calcular, porque imprimia tabelas,
estocava números e alterava instruções;
Herman Hollerith (1860-1929),
nos EUA, que inventou a máquina eletromecânica de estatística
por tabulação de cartões ou o sistema de tabulação
estatística, criado em 1889 e utilizada no Censo dos EUA de
1890. Hollerith organizou sua própria companhia, the Tabulating
Machine Company, que através do “leasing” prosperou nos EUA
e se transformou, em 1924, a partir da fusão com outras
empresas, na Internacional Business Machines (IBM), em New York
(BASHE et al. ,1986; BITTER,1984; BRITO,1983; FREEMAN,1982:82;
ROSENBERG,1976:200; FLAMM,1988:30).
Esta forma de buscar quantificar objetos,
coisas (o Cálculo) em dispositivos físicos ou máquinas,
passou a ser chamado de processamento de dados ou processamento
de informações.
O processamento de dados e sua quantificação, possui
uma longa história, não é o objetivo aqui enveredar por essa
história, mas, assinalar como, onde, quando e porque surgiu, da
evolução das técnicas de processamento de dados, a “máquina
inteligente” (TYLECOTE,1991:56), o computador eletrônico ou a
máquina que produz máquinas (WALKER,1993:675), e a
microeletrônica, que lhe sucedeu.
3. A 1a Geração
Pré-Comercial de Computadores
do Mid-Atlantic nos EUA:Os Deselegantes “Mainframes”
As regiões do Mid-Atlantic (New Jersey, New
York e Pennsylvania) e da New England (Massachussets), se
constituíram no núcleo inicial, mais importante, da produção
dos primeiros computadores elétricos à válvula nos EUA. A
concentração de investimentos governamentais militares e de
empresas como: IBM, General Electric e Silvanya, em New York;
RCA, em New Jersey, e a presença de grandes laboratórios como
AT&T-Bell, Western Electric e da University of Pennsylvania,
em New Jersey, constituíram os fatores decisivos para a
maturação regional das indústrias de computadores e
semicondutores no nordeste dos EUA.
As duas primeiras décadas da história dos primeiros
computadores eletrônicos, podem ser caracterizadas como o
período dos grandes computadores (mainframes).
A maioria dos grandes computadores produzidos no
período, que se estende de meados dos anos 40 até o início
dos anos 50, eram não comerciais, e foram utilizados pelo
governo americano, além dos fins militares (BRETON,1987:124),
para o censo, cálculos financeiros, administrativos e
estatísticos, e, também, para fins científicos. Os custos
desses “mainframes” eram bastante caros, sua
produção requeria o emprego de muito trabalho e os métodos de
organização, conservação e transcrição dos dados por
cartões perfurados, eram feitos por meio de técnicas de
tradição originada no final do século XIX, estes conteúdos e
fatores explicam, em parte, o porquê da preexistência de
grandes investimentos estatais, unidades fabris e laboratórios,
como requisitos estruturais de sua produção.
Como os investimentos em pesquisa básica para a
criação do primeiro computador eletrônico foram provenientes,
na sua grande maioria, de recursos governamentais, a
exploração e a expansão do processo de comercialização
definitiva desses computadores só aconteceu no início dos anos
60, por motivos “estratégicos e militares”. E é só no
final dos anos 70 que os microcomputadores entram em cena, do
ponto de vista comercial (DORFMAN,1987:43), ou seja, o caráter
inovativo, em termos de usos e comercialização, da invenção
dos computadores só emerge duas décadas depois de sua
descoberta.
O surgimento do primeiro computador eletrônico digital
da chamada 1a Geração Tecnológica foi concebido em
1939 por John Vincent Atanasoff, professor de física, e
Clifford Berry, seu assistente, ambos do Iowa State College, que
o chamaram de Atanasoff-Berry Computer ou ABC. Este computador
foi desenhado para solucionar equações algébricas lineares (BITTER,
1984:33).
Em 1944, a partir do rápido desenvolvimento da
eletrônica, um grupo de cientistas da Universidade de Harvard e
da IBM, liderados por Howard Aiken, conceberam o Harvard’s
Automatic Sequence-Controlled Calculator -- o Mark I, um
computador que funcionava com tecnologia e instrumentos
eletromecânicos. Sua programação e suas instruções eram
efetuadas por intermédio de fitas de papel gravadas ou
codificadas. Para efetuar cálculos, o Mark I levava 6 segundos
para multiplicar dois fatores de 10 algarismos.
Em 1946, tomando como base um exótico experimento
eletrônico criado por Atanasoff & Clifford Berry, o “functional
prototype electronic adder”, J. Presper Eckert e John W.
Mauchly construíram, no departamento de engenharia elétrica da
Universidade da Pensilvânia, na Philadelphia (FLAMM,1988:31;
DORFMAN, 1987:45), a partir dos progressos técnicos na
eletrônica, o ENIAC (Eletronic Numeric Integrator and
Calculador), que teve seu projeto iniciado em 1943 (STERN,1981).
O
ENIAC, parecia mais “um monstro” (2),
pesava 30 toneladas, media 170 metros quadrados, possuía:
18.000 válvulas eletrônicas, 70.000 resistores, 10.000
capacitores e 6.000 interruptores; trabalhava com sistema de
numeração binário; executava cálculos com mais velocidade
que seu antecessor, de 5 toneladas, o Mark I; conseguia
multiplicar dois fatores de 10 algarismos em 0,0003 segundos. As
máquinas de calcular de hoje fazem estes cálculos centenas de
vezes mais rápido.
Os sistemas de válvulas eletrônicas ,
que representou o componente central da 1a Geração de
Computadores, foram largamente difundidos tanto nos sistemas de
telefonia, como nos de rádios, amplificadores e outros
equipamentos eletrônicos (PRESTOWITZ,1998:123).
Na época o objetivo principal de construção do ENIAC
foi o de auxiliar a produção de armas, ou seja, este faria os
cálculos necessários para a criptoanálise, confecção de
bombas atômicas, cálculos das tabelas balísticas da marinha e
dos primeiros mísseis nucleares. A grande maioria das pesquisas
científicas estavam voltadas para auxiliar a indústria de
defesa (FLAMM,1988:38).
Depois de ajudar a criar o ENIAC, os dois principais
responsáveis pelo projeto na Universidade da Pensilvânia
resolveram criar uma empresa, cujo nome era o produto da fusão
dos seus sobrenomes: Eckert-Mauchly Computer Corporation.
A idéia deles era comercializar suas invenções para grandes
instituições públicas e privadas, interessadas em utilizar
esta tecnologia para fins estatísticos e, também, militar.
Esta idéia de se tornar um pequeno empreendedor foi copiada,
com sucesso, posteriormente, por inúmeros engenheiros de
renome, oriundos de importantes universidades nos EUA.
Em 1950, a Eckert-Mauchly Computer Corporation adquiriu
um contrato para efetuar o processamento dos dados do
recenseamento nos EUA, obtendo uma inserção de caráter civil
da tecnologia por ela produzida. Mas a Eckert-Mauchly Computer
Corporation teve uma vida produtiva muito curta, sendo absorvida
ainda neste mesmo ano pela Remington Rand.
Estimado em mais de US$ 500.000, o ENIAC, parecia
apresentar problemas de excessivo consumo de energia e de queima
permanente de válvulas, já que quando ele estava funcionando a
temperatura ambiente alcançava 120oF, ou seja, quase 49oC. Mais
tarde com a contribuição do matemático húngaro J.V.Neumann,
surge o Electronic Discrete Variable Computer - EDIVAC,
o primeiro computador a armazenar, em forma codificada e com uma
nova “arquitetura”, dados em sua memória. Os propósitos
tendiam a ser os mesmos, produzir tecnologia para a “defesa”
e cálculos estatísticos e de balística.
O avanço do hardware prosseguiu com o surgimento do Universal
Automatic Computer - UNIVAC, no início da década dos anos
50, seis vezes menor, com 5 toneladas, mas ainda com 5 mil
válvulas. O UNIVAC foi o primeiro computador a armazenar
programas; sua concepção foi um produto de pesquisas militares
realizadas na Universidade da Pensilvânia durante a guerra (ROSZAK,1986:22).
O desenvolvimento dos UNIVAC foi fomentado pelos contratos com o
National Bureau of Standards and Prudential Insurance, com
transferência de patente para a Remington-Rand (posteriormente
Sperry-Rand).
Em 1951, o período de produção comercial dos
computadores foi inaugurado pela Sperry-Rand (desde 1986 Unisys)
(CASTELLS,1989:63), com o início da fabricação do UNIVAC I ,
o primeiro computador eletrônico utilizado para efetuar o censo
daquele ano, composto de logiciais produzidos por transístor,
memória de núcleos magnéticos e batch remoto.
O surgimento público do UNIVAC “foi um truque dos
meios de comunicação” 3. O UNIVAC foi emprestado a CBS
para previsões das eleições de 1952, e a partir de 5 a 7% dos
votos apurados, projetou a vitória de D.Eisenhower,
contrariando as expectativas dos especialistas, com um erro
mínimo estimado em 1% do total de votos (ROSZAK,1986:22-23).
A Sperry-Rand, em 1954, era a segunda maior empresa em
vendas de computadores digitais nos EUA (ver, Tabela 2), neste
período a IBM era a quarta do “ranking”.
Tabela
2:
EUA,
Produtores Líderes de Computadores Digitais
1954
|
|
|
|
|
Empresas
|
Total
de Vendas
em
Milhões $
|
|
|
RCA
|
941
|
Financeiro
|
|
Sperry Rand
|
696
|
Financeiro e Científico
|
|
Bendix Aviation
|
608
|
Científicos
|
|
IBM
|
461
|
Financeiro e Científico
|
|
NCR
|
259
|
Financeiro e Científico
|
|
Minneapolis-Honeywell
|
229
|
Financeiro e Científico
|
|
Raytheon Manufacturing
|
182
|
Financeiro e Científico
|
|
Burroughs
|
169
|
Financeiro e Científico
|
|
Underwood
|
76
|
Financeiro
|
|
Moroe Calculating Machine
|
30
|
Financeiro
|
|
Marchant Calculator a
|
21
|
Financeiro
|
|
Electrodata
|
1
|
Financeiro e Científico
|
|
|
|
|
|
|
|
|
Fonte: Arthur D.Leite, Inc., with the White, Weld & Co. research
department, The Electronic Data Processing Industry: Present
Equipament, Technological Trends,
Potencial Market (New York: White, Weld &Co, 1956) in FLAMM
(1988:82).
a.
Vendas efetuadas em 1953.
Mas, em 1955, quando os criadores do UNIVAC I, J.
Presper Eckert e John W. Mauchly, desapareceram, a hierarquia do “ranking”
se alterou, a liderança do mercado de computadores passou a ser
dominada pela IBM que detinha mais de 70% do valor dos sistemas em
uso em todo mundo.
A hegemonia da IBM na produção de computadores foi obtida
por duas razões: primeiro, por ter efetuado pesados investimentos
em pesquisa e desenvolvimento, para atender às demandas estatais de
concepção científico-computacionais de sistemas de defesa,
fabricando produtos militares como o “701 Defense Calculator”,
ao contrário da sua rival, a Sperry Rand, que preferiu continuar no
mercado de aplicações financeiras; segundo, porque os produtores
do UNIVAC negligenciaram os investimentos requeridos em P&D em
novos produtos para poderem continuar preservando a liderança
tecnológica.
A IBM continuou seus investimentos no mercado militar, e
construiu o computador valvulado o”Bomb-Nav”, este
último produzido para atender às necessidades dos B-52 (FLAMM,1988:87)
e, ser utilizado no sistema de defesa aéreo (SAGE) e para outros
fins militares.
Grande parcela dos produtores de tecnologia de informação,
nos Estados Unidos, do setor de informática, era mantida pela
indústria militar. O aperfeiçoamento da indústria de defesa,
durante o pós-guerra, estabeleceu uma estrutura de produção e
acumulação militar para empresas de Alta-Tecnologia, que gozavam
do privilégio da “estabilidade” sem a concorrência, pois
contavam com “investimentos seguros” custeados pelo Estado, e
estavam menos suscetível às oscilações de preço e mercado do
que o restante das atividades civis competitivas.
Depois do sucesso comercial alcançado pela IBM e da
ampliação do seu poder de mercado, na década de 50, as
transformações e as inovações na estrutura do Hardware fez
surgir a segunda geração de computadores.
4. A Mobilidade Territorial da
Produção Industrial
dos Computadores nos EUA: O Surgimento
da Tecnologia dos Minicomputadores
A participação dos Laboratórios Bell, de
Murray Hill em New Jersey, da American Telephone & Telegraph-AT&T,
ou AT&T-Bell, desde 1939, constituiu um fator de forte
influência no processo de construção de computadores,
principalmente sob a “batuta” do matemático americano George R.
Stibitz. Foram estes Laboratórios que, através de seus cientistas,
conseguiram resolver o problema causado pelo consumo excessivo de
energia e queima das válvulas dos ENIACs, inventando o Transistor (Transfer
Resistor ou “resistor de transferência”)
(4),
em 1947.
Esta inovação foi um produto de pesados investimentos nas
áreas de pesquisa e desenvolvimento (FREEMAN,1982:92). Seu
aperfeiçoamento só pode ser concretizado a partir de uma base
gigantesca de desenvolvimento obtida em grandes laboratórios, como
os Laboratórios Bell, que chegaram a empregar mais de 2.000
profissionais no final da década de 40 (DORFMAN, 1987:172).
Vinte e cinco por cento do orçamento das pesquisas em
semicondutores, de 1949 a 1958, eram provenientes de contratos de
defesa estabelecidos pelo governo federal (FLAMM,1988:16; SCOTT
& STORPER,1988a:31; PIRES,1992:71-72) (5).
O Transístor, assim como outros dispositivos úteis, tais
como: o diodo semicondutor, diodotúnel, etc., fazem uso de
semicondutores de impurezas, que resultam da adição controlada de
certas impurezas a semicondutores intrínsecos (TRIPLER,1981:288).
Os Laboratórios Bell construíram, em 1950, o primeiro
computador transistorizado, chamado de LEPRECHAUN. Mas, só em 1960,
a IBM lançou seus primeiros modelos transistorizados de
computadores (
6 ).
A comercialização definitiva desta nova geração de
computadores só se efetiva na prática no final da década de 50
através da Sperry Univac, provando que nem sempre o tempo de
descoberta de uma invenção é o mesmo de sua inovação ou
comercialização, ou mesmo de seu reconhecimento, como foi o caso
do prêmio Nobel dado aos inventores do Transístor em 1956, quando
a descoberta ocorrera em 1948.
A era do Transístor se iniciou em 1948, quando John Bardeen,
Walter Brattain e William Shockley, físicos do estado sólido,
todos de Bell Telephone Laboratories, deram início a primeira
revolução na eletrônica com a invenção do transístor (PRESTOWITZ,1988:124;
TYLECOTE,1991:56). Mas só em 1956, estes três cientistas
americanos receberam o Prêmio Nobel de Física pelos seus
trabalhos.
Em 1954, antes de receber o prêmio Nobel, Shockley deixa a
AT&T’s Bell Laboratories para comercializar sua invenção,
depois da frustada iniciativa de estabelecer uma firma de
Transístor em Massachussetts.
Em 1956, William Shockley, que era de Palo Alto, Califórnia,
foi indicado pelo professor e empresário Frederick Terman, que
fundou, em 1951, o Parque Industrial de Stanford (CASTELLS,1989:44),
para ser professor de Engenharia Elétrica da Universidade de
Stanford. Lá Shockley estabeleceu a Shockley Transistor Corporation
(SAXENIAN,1994:25), procurando atrair jovens e talentosos físicos,
químicos e engenheiros, como foi o caso mais tarde de Robert Noyce,
doutor em física do estado sólido pelo MIT.
Como Shockley “não era um bom administrador de empresa”,
dois anos depois, do grupo de excelentes cientistas que possuía na
sua empresa, oito, incluindo Robert Noyce e Gordon Moore, resolveram
implantar em 1957, com o apoio do banqueiro Arthur Rock e o suporte
da Fairchild Camera and Instrument Company de New York, o núcleo da
Fairchild Semiconductor Company (DORFMAN,1987:181; SAXENIAN,1994:25;
PRESTOWITZ,1988:125).
A Fairchild ao introduzir inúmeros avanços tecnológicos
tornou-se a mais importante empresa de semicondutores dos EUA, mas
os problemas de gestão reapareceram, e o antigo grupo dos oito se
dissolveu e um grande número de pesquisadores e executivos da
Fairchild, se reorganizaram e formaram várias outras empresas de
semicondutores, como foram os casos da:
-
Rheem Semicondutor, formada em 1959;
-
Signetics e da Amelco (depois Teledyne
Semiconductor), formadas em 1961;
Molectro (outra filial da Fairchild) dentro da National
Semiconductor como o maior competidor, formada em 1967;
-
Intel, formada por dois fundadores da
Fairchild, em 1968;
Advanced Micro Devices, formada pelo gerente de marketing
e mais sete empregados da Fairchild em 1968.
A importância regional de Santa Clara Valley
pode ser, em parte, creditada a Fairchild, que foi o ancestral comum
de 21 das 23 empresas de semicondutores da região, além dos
investimentos milionários do Pentágono para pesquisa eletrônica,
na Universidade de Stanford, que ajudaram a criar o Instituto de
Pesquisa de Stanford (DICKEN,1992:328) e ajudaram a criar, também,
o Lawrence Livermore National Laboratory ligado a Universidade da
Califórnia (CASTELLS,1989:53).
Em 1980, as vendas de semicondutores das empresas americanas
representavam 6 bilhões de dólares (DORFMAN,1987:127), sem
considerar que a tecnologia dos semicondutores se transformou em um
quase-insumo tecnológico, do qual o desenvolvimento industrial não
pôde mais prescindir na produção de diferentes atividades
comerciais, principalmente eletro-eletrônicas.
A Universidade de Stanford, tendo conhecimento estratégico
sobre a produção de Alta-Tecnologia, concedeu, desde 1951, a
título de contrato de aluguel, terras para estas empresas, com o
objetivo de promover e criar o ambiente necessário para o
desenvolvimento de tecnologias inovativas na região.
A lógica territorial de implantação das indústrias de AT
nos EUA (Semicondutores, Biotecnologia, Computadores, etc. ), foi no
início, de certo modo, ditada pela “magia” dos grandes
Laboratórios e Universidades do Nordeste e do Leste da região do
Snowbelt, depois passou a assumir um caráter estratégico de
localização e foi transferido para o Sul (
7 ), o Oeste e para as regiões de
deserto e do Sunbelt: Austin, Dallas-Fort Worth, Houston Phoenix,
San Diego, Santa Clara County, e outros centros (SCOTT,1988b:160),
onde fortes investimentos estatais de defesa começaram a se
concentrar ( 8 ).
5. A Emergência Espacial do Silicon Valley
na Califórnia
A flor da Alta-Tecnologia não emergiu apenas do
acaso no “deserto” ou no “west”, ou da imaginação dos
historiadores.
Durante o período da guerra da Coréia, no pós guerra, uma
ação estatal quase deliberada e programada, com o apoio de um
empreendedor individual Frederick Terman, cunhou de forma quase
intencional a semente da AT, nesta paisagem-berço, que mais tarde
passou a ser chamado de Silicon Valley (9
)
(MARKUSEN et al., 1986). Esta ação teve como fundamentos:
-
a segurança nacional;
o ambiente aprazível, a atmosfera cultural, a qualidade
de vida e o bom clima da região (CASTELLS,1989:52);
-
as possibilidades de exploração mercados de
trabalho (ANGEL, 1991:1509) e criação de relações sociais de
trabalho interfronteiriças, onde existe forte presença de imigrantes
ilegais (SCOTT & STORPER, 1988c:41);
-
o melhor acondicionamento do futuro parque
industrial, longe dos grandes centros e dos sindicatos
(DAVIS,1986:194)
(10);
-
a proximidade de centros Universitários e
laboratórios de excelência;
a disponibilidade de novos materiais e a necessidade de
realização dos testes para a aprovação de dispositivos
bélicos, principalmente de defesa (SAXENIAN,1994:11-27).
Esta lógica da reestruturação territorial das
atividades industriais de AT, promoveu estrategicamente nos EUA,
desde a década de 50, em parte, a gênese dos processos de
desindustrialização (BLUESTONE & HARRISON,1982:30;
SOJA,1994:159) (11)
e da reindustrialização seletiva e verticalizada, que originou o
Silicon Valley (12),
Orange Valley e as novas cidades informacionais (CASTELLS,1989),
também denominadas saudosamente de pós-industriais por
Daniel Bell.
Em 1970, o Silicon Valley, antiga Meca da AT, tinha se
expandido com mais de 1.500 firmas não sindicalizadas e 200.000
trabalhadores sem o mínimo de organização sindical
(DAVIS,1986:130), tornando-se o maior centro nacional de AT dos EUA
e o mais dinâmico setor da economia regional na produção de
inovações em semicondutores, superando a produção da região
berço-mater da AT, a Route 128 (SAXENIAN,1994:25).
O processo de territorialização das indústrias de
computadores e das indústrias de semicondutores, obedece às
características diferenciadas e peculiares de cada setor
industrial, já que as indústrias de computadores são maiores e
mais diversificadas que as indústrias de semicondutores. Estas
características, influenciam o processo de implantação e
mobilidade territorial dessas indústrias, a mobilidade das
indústrias de computadores é, relativamente, menos expressiva do
que as indústrias de semicondutores (CASTELLS,1989:57).
6. A Era do Silício nos
Computadores e a Produção
dos Circuitos Integrados
A expressão “Era do Silício” se refere ao
período da utilização do Circuito Monolítico ou o Circuito
Integrado--CI (WOLFF,1977:44), que permitiu reunir numa única
pastilha de silício mais de 450.000 componentes: transístores,
diodos, capacitores, registores e indutores, criado por Jack Kilby e
Robert Noyce, ambos da Texas Instruments-TI, com alguns impasses
técnicos, em 1958. Surge, destas inovações tecnológicas, a
terceira geração de computadores que inaugura esta era e o começo
da segunda revolução na eletrônica.
A redução dos componentes de um computador numa minúscula
pastilha estimulou pesquisas que procuravam, cada vez mais, diminuir
o tamanho desses componentes, através do processo de
miniaturização.
Os computadores desta geração eram mais rápidos e tinham
uma capacidade maior de estocar dados. Esta geração de
computadores difundiu os usos de acessórios ou periféricos
acoplados (modem, acionadores de discos e acionadores magnéticos) e
de linguagens de programação (Cobol, Fortran, Basic, APL, Pilot,
Pascal, etc. ).
A tecnologia desta geração permitiu o uso compartilhado de
um mesmo computador por mais de uma pessoa, através da introdução
de sistemas de múltiplos usuários (BITTER,1984:55).
Uso inicial desta tecnologia esteve direcionado para
atividades de caráter geopolítico dos programas espaciais de
defesa da NASA. Neste período, segundo um comitê do congresso, 85%
das pesquisas e desenvolvimento americanas em eletrônica foram
financiadas pelo governo federal (FLAMM,1988:16); estes
investimentos são explicados pela conexão da Califórnia com os
mercados militares (CASTELLS,1989:54).
Durante quase uma década o circuito integrado teve seu uso
restrito ao departamento de defesa, já que em 1960, um ano depois
de sua descoberta, a Força Aérea dos EUA garantiu a Texas
Instruments um contrato para construir o primeiro computador que
utilizaria o CI, que só ficou pronto em 1961. A Força Aérea havia
decidido que utilizariam o CI no míssil Minuteman II e, em 1965, o
CI era o quinto produto em vendas na indústria de Alta-Tecnologia (FLAMM,1988:18).
Por isso, só depois da segunda metade da década de 60,
depois do aprimoramento na produção de Circuitos Integrados e
redução dos custos de produção, a Texas Instruments diversificou
e difundiu a sua produção comercial, tornando-se um dos maiores
produtores mundiais de calculadoras manuais e computadores (CASTELLS,1989:46).
É neste período de desenvolvimento dos circuitos integrados
que novos competidores começam a emergir, foram eles Burroughs,
National Cash Register (NCR), Digital Equipament Corporation (DEC),
Hewlett-Packart e a Honeywell, que produziram computadores de médio
e largo porte, velozes, resistentes e de baixo custo (BITTER,1984:57).
7. A Era dos Chips e dos Microcomputadores
Duas décadas depois da Era do Silício, mais
exatamente em 1971, Marcian E. Hoff, Jr. (Ted Hoff) da Intel
Corporations (13),
inventou o microprocessador (Chip) ,
que consistiu em reunir numa micropastilha de silício um computador
inteiro com vários Circuitos Integrados, mais a Unidade Central de
Processamento - CPU, e milhares de transístores.
Foi dessas inovações que surgiu a quarta geração de
computadores, cuja característica central era a presença de
circuitos integrados de larga escala de integração (LSI). Esta
geração dos microcomputadores, embora tenha sido usada no início
para atividades de baixa aplicação, como simples calculadoras (FLAMM,1988:237),
inaugurou a era dos Chips e o começo da terceira revolução na
eletrônica e, praticamente, revolucionou as aplicações da
microeletrônica na sociedade global (14).
O microcomputador criado pela Intel resultou de inesperadas
(casuais) descobertas a partir de um pedido, efetuado por uma
empresa Japonesa de calculadoras, a Busicom, para a criação de
chips de calculadoras de diferentes design; mais tarde, a Intel
concebeu o design de um chip programável por um software. Em 1971,
depois de observar o extraordinário valor da tecnologia que havia
criado com a Busicom, a Intel procurou renegociar o contrato e reter
os direitos de compra e venda (Marketing) para produzir o primeiro
microcomputador (DORFMAN,1987:196).
No final da década de 70
e início dos anos 80, esta geração, através da redução dos
custos de produtos e do surgimentos de algumas inovações no
processo de miniaturização de componentes, na capacidade de
retenção de memória dos microprocessadores (4bits, 8bits, 16
bits, 32bits, etc.) foi responsável pelo surgimento do computador
pessoal (PC) e pelo seu sucesso comercial em massa, que ocorreu a
partir da segunda metade da década de 80.
A primeira empresa a produzir um computador em um Chip foi a
Texas Instruments, que patenteou o seu invento e procurou
comercializá-lo para usos em: instrumentos musicais, brinquedos,
copiadoras, calculadoras, vídeo-games (DORFMAN,1987:197).
Em 1980, a IBM introduziu o IBM 3081, duas vezes mais veloz
que os seus modelos anteriores, trabalhando com um sistema chamado
de “very-large scale integrated circuits (VLSI)” (BITTER,1984:59).
As primeiras empresas a comercializarem microcomputadores,
com tecnologia VLSI, depois da Texas Instruments e da IBM, foram:
Apple, Commodore, Radio Shack, Atari, Pet, Osborne, Timex/Sinclair.
A capacidade dos computadores cresceram, os custos caíram e
os computadores se difundiram entre os países, no cotidiano da
sociedade, através dos bancos, repartições e instituições
públicas, escritórios, laboratórios, instituições de pesquisas,
empresas aéreas, agências de turismo, lazer, clubes, hospitais,
pequenos negócios, escolas, universidades, bibliotecas,
supermercados, carros, residências, máquinas e através das redes
mundiais de comunicação por satélites. A introdução na vida
cotidiano transformou radicalmente a sociedade industrial e tende a
fazer surgir, como anteviu Daniel Bells, uma nova sociedade
pós-industrial ou da informação.
8. A Era dos Chips no Brasil
No Brasil, como em vários outros NPIs, a
obtenção da AT constituiu uma verdadeira “luta ideológica e
política” (ADLER,1986). O enredo desta “estória” foi objeto
de inúmeras pesquisas e publicações.
O crescimento e a evolução da indústria de computadores no
Brasil e em alguns NPIs, no final da década dos anos 70 e nos anos
80, provenientes da adoção de políticas de substituição de
importação e embargo comercial aos grandes produtores de
computadores, revelaram-se como um surpreendente processo de ruptura
histórica do quadro da produção mundial oligopolizada mantido
pelas Corporações Multinacionais -- CMs (ERNST, 1989).
A constituição e a localização da produção industrial
de chips e componentes para computadores no Brasil, apresenta um
componente geográfico distinto do observado nos EUA. Enquanto nos
EUA a produção de componentes e semicondutores nasce articulada
aos grandes laboratórios da região norte e nordeste e se
desenvolve, em função do mercado de trabalho (ANGEL,
1991:1509) e das demandas estatais do Departamento de Defesa, nas
cidades do Sul e do Oeste (Sunbelt). No Brasil, no final dos anos 70
e início dos anos 80, a carência de uma capacitação tecnológica
nas atividades que estavam articuladas a indústria de computadores
(TIGRE, 1985:128), praticamente influenciou a constituição do
processo de concentração da produção de AT nos grandes
centros metropolitanos (São Paulo e Rio de Janeiro) e impediu a descentralização
das atividades de produção, no território.
Esse processo de concentração tendeu a contrariar as
iniciativas de descentralização industrial desenvolvidas pelo
governo federal, principalmente em São Paulo. Mesmo com o
crescimento verificado de 1970 a 1980 (de 7% para 21,6%) das
indústrias de telecomunicações, microeletrônica e componentes,
em Campinas (NEGRI, 1988:24). Isso porque, a grande maioria destas
indústrias estavam mais vinculadas ao segmento profissional de
eletroeletrônica comercial do que de Alta-Tecnologia. No Rio de
Janeiro, na região metropolitana, as iniciativas de
descentralização e suburbanização das atividades industriais
vinculadas a setor de informática, foram inicialmente bem
sucedidas, a criação da empresa estatal de computadores, a Cobra,
em Jacarepaguá, foi um passo decisivo neste sentido.
Notas
1. Segundo Gary G.BITTER
(1984:27) Computers in Today’s World:
“Blaise Pascal, filho de Coletor de Taxa
Francês, desenvolveu uma máquina mecânica para fazer
operações aritméticas em 1642. Os números de 0 a 9 eram
marcados sobre uma pequena roda, que era conectada por
engrenagens. No fim de um completo giro da roda, um dente da
engrenagem se conectaria com a engrenagem do próximo disco,
movendo-o à frente um décimo de uma volta e deste modo
desempenhando a adição. A reversão da volta permitiu-o
fazer a subtração. Impressionante para o seu tempo, a
máquina chamada de Pascalina é olhada agora como totalmente
primitiva. Entretanto, ela foi a primeira calculadora do mundo
como também a base para muitas outras invenções como, por
exemplo, o contador de quilometragem do automóvel e dos
medidores de gás e de eletricidade.”
2. Albert BRESSAND
& Catherine DISTLER (1989:15 e 42) em seus livro O
Mundo de Amanhã; ou BRITO,P. (1983:24-31 e 79), no seu
artigo: O Computador Sem Mistério.
Segundo Theodore ROSZAK, p.22, In O
Culto à Informação:
“A palavra computador entrou para
o vocabulário do público na década de 50, quando os modelos
de aparelhos mais avançados eram ainda dinossauros mecânicos
do tamanho de um quarto que consumiam suficiente eletricidade
para apresentar um sério problema de refrigeração.”
3. Segundo ainda
Theodore ROSZAK, pp.22-24, In O Culto à Informação:
“... o surgimento público do UNIVAC foi
um truque dos meios de comunicação. A máquina foi
emprestada à rede de televisão CBS para previsões dos
resultados das eleições de 1952. Este gigantesco e ruidoso
animal (continha 5 mil válvulas, mas utilizava um novo
sistema de tape magnético compacto, ao invés dos cartões
perfurados para armazenamento de dados) foi programado para
analisar as estatísticas da votação para a CBS em
distritos-chave, comparando-os com os primeiros resultados da
noite da eleição. Desta forma, o UNIVAC fornecia uma
projeção que rapidamente poderia efetuar os cálculos que
indicariam o candidato de vitória mais provável.
... Esta foi uma demonstração
impressionante daquilo que um processador avançado de dados
poderia fazer, tão impressionante que durante algum tempo a
marca UNIVAC ameaçou substituir a palavra genérica computador.”
4. O Transístor
consiste na constituição de agregados de materiais capazes
de produzir a semicondutividade (trata-se dos cristais de
germânio, silício e do flúor borato de gálio). O
Transístor resulta da dopagem ou encrustamento do fósforo
(semicondutor de elétrons) mais o boro (semicondutor de
buraco) no silício (semicondutor intrínseco). O objetivo era
formar um semicondutor extrínseco com a dopagem do fósforo
mais o boro no silício. Como este último é um cristal de
alta condutividade e exige elevada quantidade de temperatura
para se tornar um semicondutor, com o encrustamento de “sandwich”
do fósforo e do boro em uma pastilha de silício, foi criado
o semicondutor de impurezas que exige menor quantidade de
temperatura e produz a amplificação da corrente elétrica em
estado sólido. Ver TRIPLER,P.A. (1981) A Física dos
Materiais.
5. É a Rosa LUXEMBURGO
(1985:311-320) que coube o legado e a iniciativa pioneira de
aprofundar e examinar o inter-relacionamento existente entre
técnica e militarismo, em: A Acumulação do Capital,
Cap.XXXII: O Militarismo como Domínio da Acumulação do
Capital. No meu artigo, PIRES,H.F (1992:57-89), As
Metamorfoses Tecnológicas do Capitalismo no Período Atual,
procurei rediscutir este tema, já vastamente estudado, sobre
a íntima relação existente entre as mais importantes
descobertas da ciência contemporânea e os avanços das
técnicas de produção militar.
6. Neste período, no
Brasil, a prefeitura do Recife introduziu esta tecnologia da
IBM, durante as gestões de Arthur Lima Cavalcanti e Augusto
Lucena, implantando computadores com lógica transistorizada
para as atividades financeiras e administrativas desta
municipalidade (PIRES,1988:42). O que representou um
pionerismo em relação às prefeituras das outras grandes
cidades do Brasil.
7. Segundo CASTELLS
(1989:53): “O MIT recebeu muito dos grandes contratos
militares, e durante a 2a Guerra Mundial teve um papel
muito mais importante que a Stanford.” Mas, segundo ainda
ele, talvez merecesse ser considerado a mobilidade das
indústrias de Semicondutores do Leste para o Oeste, como
elemento histórico explicativo de constituição de vantagens
para o crescimento, no Silicon Valley, de indústrias mais
orientadas para a produção militar que para pesquisa
militar, como no MIT.
8. Segundo DAVIS,M.
(1986:195), Prisoners of The American Dream, houve uma
grande transferência dos investimentos do setor militar para
a região do Sunbelt, como pode ser visto no Quadro IV sobre
os Recursos Militares Transferidos para o Sunbelt:
Fonte:
DAVIS, M. (1986:195).
*Obs: Concedidos para mudanças de populações
9. Segundo SAXENIAN,A.
(1994:178), Regional Advantage, a expressão Silicon
Valley foi cunhada pelo jornalista Don C. HOEFLER, quando ele
se referia ao condado de Santa Clara e a atividade de
Alta-Tecnologia que era desenvolvida pelos condados de San
Mateo, Alameda e Santa Cruz.
10. Segundo DAVIS
(1986:130), baseando-se no San José Mercury News, November 5,
1985, 4C:
“O Silicon Valley, claro, é também um
caso extremo de uma tendência emergente em direção a uma
estrutura polarizada entre os profissionais altamente bem
pagos e os trabalhadores de produção de baixa remuneração.
Enquanto um engenheiro elétrico freqüentemente recebe acima
de US$ 80,000, os trabalhadores de linha de montagem nas
indústrias de semicondutores (75% mulheres e 61% minorias)
iniciam ganhando US$ 5.22 por hora, aumentando nos postos mais
altos para US$ 8.82. Portanto, a grande maioria do circuitos
impressos e componentes de companhias são de “Old-fashioned
sweatshops” (ou locais onde trabalhadores são forçados a
trabalhar por baixos salários e em péssimas condições de
vida, ultrapassados), pagando um salário mínimo de US$3.35,
escondendo trabalhadores sem carteira assinada ou refugiados
do Sudeste Asiático.”
11. Segundo BLUESTONE
& HARRISON (1982:30), a mobilidade territorial do capital
nos EUA, que desencadeou o processo de desindustrialização,
teve forte impactos regionais na criação e na destruição
de empregos e indústrias, conforme revela a Tabela 3:
Tabela 3
Empregos Criados e Destruídos Resultantes da
Abertura, Fechamento,
Relocalização,Expansão e Contração de Empresas Privadas
Estabelecidas
nos EUA: 1969-76
(por mil empregos)
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Mudanças
no Emprego: 1969-76
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